Resumo: A partir da Assembleia Nacional Constituinte de 1986, há uma mudança na perspectiva “crente não se mete em política” dando lugar ao lema “irmão vota em irmão”, o qual auxiliou no aumento da força política dos evangélicos. Em 2003, foi criada a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional e desde então a atuação desse grupo religioso se fortalece politicamente. Nas eleições presidenciais de 2018, que elegeu o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, uma grande parte de seus eleitores foram arregimentados do pentecostalismo, que prometia que o governo iria restaurar a ordem ascética, a moral e os “bons costumes". A presente pesquisa objetiva compreender a atuação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no cenário nacional brasileiro como um grupo político de pressão no poder Legislativo Federal. Metodologicamente, comparou-se o perfil dos representantes da FPE em relação a seus partidos políticos, profissões, espectro ideológico e denominações religiosas nos anos de 2019 e 2023, respectivamente anos iniciais dos governos Bolsonaro e Lula. Os dados analisados foram retirados dos sites da Câmara dos Deputados e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Os resultados parciais referentes a legislatura de 2019 revelam um maior número de participantes (30 deputados) vinculados à igreja Assembleia de Deus perante as demais agremiações religiosas. Enquanto em 2023, tal quantidade de representantes caiu para 25 deputados. Dentre as profissões, com maior expressividade de integrantes, há destaque para os empresários, que, no ano de 2019, tiveram 20 parlamentares e em 2023, chegaram a 22. Com relação ao partido político, o mais numeroso atualmente é o Partido Liberal, com 21 deputados, o qual supera a quantidade de representantes do Partido Republicanos nas eleições de 2018 que chegou a 19 deputados. É possível perceber, portanto, a estabilidade da força Evangélica Pentecostal na esfera política, a qual vem crescendo em termos de representatividade. Por fim, percebe-se que não houveram alterações significativas na FPE em 2023 desde a ascensão da direita e da grande influência dos pentecostais no ano de 2018, sugerindo que, apesar da derrota do candidato Jair Bolsonaro para o cargo máximo do executivo federal, a influência dos evangélicos no legislativo permanece forte.
Nível de Ensino:
Ensino Médio e Ensino Médio Técnico
Tem protótipo:
Não
Necessita de mesa:
Não
Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas
Integrantes: