Autores:
Ano: 2023
Nível de Ensino: Ensino Médio e Ensino Médio Técnico
Área do Conhecimento: Pesquisa - Linguística, Letras e Artes
Resumo:
A presente pesquisa foi desenvolvida com o intuito de analisar e criar relações do contexto, pandêmico ocasionado pela Covid-19, com a pintura O quarto em Arles (1889) de Vincent Van Gogh. A doença do coronavírus teve início em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan na China, acarretando diversas mudanças na vida cotidiana. Trouxe o isolamento físico obrigatório, provocando na sociedade a elevação dos níveis de estresse, desconfianças contínuas e diferentes modos de viver e de se relacionar. Como objetivo geral, buscou-se entender se, e como a pandemia atravessou “a zona de conforto” das pessoas e afetou os hábitos e costumes. Para atingir estes elementos tivemos como ponto de interesse as relações com a pintura. Vincent retrata em sua obra processos poéticos e muitas de suas sensações, tão próximas como as relatadas no período de isolamento social. Van Gogh nasceu na Holanda em 1853 e aos trinta e cinco anos mudou-se para Arles, onde finalmente teve seu próprio espaço. É neste lugar que ele retrata seu quarto, com três versões muito semelhantes, era seu espaço de segurança, em meio aos seus sentimentos de solidão e falta de reconhecimento, expondo suas emoções. A metodologia, de caráter qualitativo e exploratório, foi desenvolvida através de análises teóricas, leituras de textos e artigos científicos, pesquisas visuais, questionário e da proposta poética “Miradas” aplicados aos estudantes da turma do primeiro ano do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio do IFRS, Campus Bento Gonçalves - Turma 2021. Através da proposta os estudantes criaram seu próprio “Quarto em Arles”, explorando o espaço em que se sentiam mais seguros durante o isolamento, narrando através de desenho, poesias, aspectos da nova rotina, os atravessamentos e sensações. Constatou-se que o isolamento elevou a sociedade seus níveis de estresses contínuos, tendo como consequência a demora para voltar ao ritmo do considerado antes como “normalidade”, revelando que a pandemia teve um grande impacto sobre novas convivências, afetando os estudos e as relações familiares, trazendo vivências como aprisionamento e a incerteza do amanhã.